terça-feira, 18 de março de 2014

Quando o Sistema Falha, os Protagonistas podem fazer Acontecer. Acredite Professor

Escola pública de cidade do Piauí tem alunos motivados e ótimos resultados

A escola Augustinho Brandão acumula dezenas de medalhas em Olimpíadas de Matemática e Química, e prêmios de astronáutica, astronomia e física.No Brasil, temos 40 milhões de alunos. Ou seja, um quinto da população está na escola. Somos a sexta maior economia do mundo, mas na educação, estamos em 88º lugar. Os professores ganham mal e os alunos não gostam das aulas. Por que tem que ser assim?

“A gente tem no Brasil uma tendência de arrumar culpado. E quando você vai no fundo, cadê o culpado? O culpado morreu há 30 anos e você está oprimido por aquele culpado. A gente tem que tomar conta do Brasil”, afirma Viviane Mosé, filósofa.

Algumas escolas já começaram a tomar conta do Brasil. O Fantástico pesquisou e encontrou escolas públicas em áreas pobres que possuem uma educação com qualidade de primeiro mundo, com médias melhores que as de escolas particulares e aprovando a maioria dos alunos no vestibular.

“Nós chegamos a ter instantes dentro dessa escola que tínhamos que expulsar os alunos, no bom sentido. Aqui parecia que era o melhor lugar. O menino estudava de manhã, mas ele queria ficar à tarde, queria ficar à noite, queria passar a madrugada estudando, porque aqui ele se sentia bem”, conta Narjara Benício, diretora regional.

A equipe do Fantástico viajou 12 mil quilômetros pelo Brasil, visitou escolas, conversou com pais, alunos, professores, especialistas na área de educação e com pessoas que vieram de escolas públicas.

Na série Educação.doc , viaje com o Fantástico e descubra o segredo dessas escolas públicas de alta qualidade.

O primeiro destino é Cocal dos Alves, no Piauí, uma pequena cidade, de economia rural, em um dos estados mais pobres do Brasil. Lá, a escola Augustinho Brandão já acumula dezenas de medalhas em Olimpíadas de Matemática e Química, e prêmios nacionais de astronáutica, astronomia e física. No Enem, está acima da média nacional.

“Em 2010, a escola aprovou todos os alunos que fizeram o vestibular. Todos”, destaca Aurilene Vieira, diretora.

“Se o pessoal se conscientizasse que a educação pode transformar, ia acontecer uma grande diferenciação. E foi o que aconteceu nesse colégio. Conscientizar tanto alunos quanto professores”, diz Franciele de Brito, aluna.

“Eu ouvi a vida toda que a educação pública é uma educação de péssima qualidade. Cresci ouvindo isso. E eu faço de tudo para mudar essa realidade. Eu acredito na escola pública. Não é possível que não dê certo em um país tão lindo, tão cheio de diversidades culturais, tão rico, não tem por que a educação não dar certo”, afirma Socorro Vieira, professora.

A mudança em Cocal dos Alves começou em 2003, quando a diretora Narjara e um grupo de professores receberam a missão de abrir a primeira escola de ensino médio da cidade.

“Aqui, nesse início de trabalho, vivenciamos as situações mais adversas que o público possa imaginar, de falta de tudo. Mesmo assim o trabalho aconteceu. Quando aconteceu, os apoios, aquilo que já era para estar sendo fomentado naturalmente, aconteceram”, revela Narjara Benício, diretora regional.

Para abrir a escola era necessário que os professores fizessem uma especialização na universidade. E isso foi feito.

“Na tentativa de ingressar os professores na universidade, tivemos nossos primeiros embates políticos. Aconteceu que no primeiro ano, nos esforçamos bastante para que todas as pessoas que ingressassem por Cocal dos Alves, para estar no ensino superior, fossem de Cocal dos Alves. E para isso, eu tive que fazer uma loucura. Porque aí tem: ‘Ah, queria beneficiar o fulano da cidade vizinha, porque é meu parente ou meu colega’. E eu tive meu primeiro embate. Disse: ‘Olha, eu não permito isso’. Se são os recursos de Cocal dos Alves que estão sendo usados, é para beneficiar o pessoal de Cocal dos Alves. E para isso tive que esconder papel timbrado, para não darem nenhuma declaração para as pessoas que não eram de Cocal dos Alves. Queriam fazer uma ‘farrinha’ com as declarações para aproveitar as vagas. Aí, foi minha primeira briga”, lembra a diretora.

Depois que ela conseguiu enfrentar o sistema e formar um grupo de professores de Cocal dos Alves, eles se reuniram e fizeram um pacto para tentar fazer uma escola de qualidade que conseguisse colocar os alunos nas melhores faculdades da capital do estado, Teresina.

“Nosso maior desafio foi fazer os alunos acreditarem nisso. Alunos filhos de pais analfabetos, da roça, que só tinham o que comer, que só dava para o sustento, a roupinha ruim. Então para fazer esses meninos viajarem nesse sonho, de que era possível sem ter dinheiro, sem ter uma roupa boa, ir lá para Teresina, para a capital, estudar lá. Foi necessário o sonho. Acreditar no sonho. Quando a gente conseguiu fazer esse povo acreditar mesmo que era possível estudar fora, se formar e mudar de vida, pronto. O aluno entra na escola Augustinho Brandão e já começa a sonhar: ‘o que eu vou querer ser?’”, afirmou Aurilene Vieira, diretora.

“Eu não vejo uma missão maior para a escola do que compartilhar esse conhecimento para que a pessoa consiga encontrar o lugar dela no mundo. Então, a escola, sim, é a grande mola propulsora que empurra as pessoas para a direção do sonho delas”, destaca Emicida, músico que estudou em escola pública.

Os alunos criaram um jornal que é distribuído por toda a cidade.

“Nós percebemos a necessidade de trazer a notícia para o povo”, diz uma das estudantes que criam o ‘Jornal Social’.

“Não tem nenhum intelectual que pode sentar, por mais genial que seja, e dizer: ‘eu sei a saída para a educação brasileira’. Porque não tem uma saída. São muitas. É assim que eu faço o diagnóstico, não só da educação, mas da sociedade. Tudo está no chão. Algumas coisas muito interessantes começam a brotar de modo novo, corajoso”, afirma Viviane Mosé.

“A escola tem recebido caravanas e caravanas com estudantes e estudiosos da educação para saber o que acontece aqui. Eu digo: ‘não precisa não’. Basta que cada um faça o seu papel e faça isso com engajamento. Seja professor que você quer ser professor e não porque lhe falta opção na vida. Seja gestor porque você quer conduzir aquela escola proporcionando o melhor para o aluno, e não porque você quer fugir de uma sala de aula. Seja sistema porque você tem ideias para contribuir e quebrar os paradigmas que forem necessários.

Então a partir do momento que cada um de nós enquanto sistema, enquanto professores, enquanto pai de aluno focarmos no principal do processo que é o aluno, isso pensando nele enquanto profissional, ser humano, criança, adolescente, respeitando suas peculiaridades, sua faixa etária. Nós pensarmos nisso com valores e não nos moldes que está se perpetuando: ‘cada um por si e deus por todos’”, ressalta Narjara Benício.

“Quando o pessoal cair na real e perceber que não tem outra forma de se ter um futuro melhor sem ser pela educação, aí vai acontecer a grande diferença, a grande melhoria”, destaca Franciele de Brito, aluna.

Ex-ministro de Lula diz que sem apoio escola de Cocal não será multiplicada

Por Rômulo Rocha

Ex-ministro da Educação do Governo Lula, demitido por telefone quando estava em missão oficial no exterior, o senador Cristovam Buarque, do PDT do Distrito Federal, citou a escola Augustinho Brandão, no município de Cocal do Alves, como exemplo de ensino de qualidade no País. 
- Senador Cristovam Buarque, do PDT do DF: defesa da multiplicação do ensino de qualidade oferecido em Cocal. (Foto: Lia de Paula/Agência Senado). 

A deferência ocorreu durante discurso no plenário do Senado Federal na tarde desta segunda-feira (17) e serviu para reforçar a defesa de uma de suas teses na área de educação, de que é preciso federalizar o ensino público para que exemplos como o existente no município piauiense sejam "replicados" em todo o território nacional.

“Há muitas prefeituras hoje no Brasil que não podem pagar um salário minimamente decente. Mas nenhuma pode pagar um salário decente sem ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Como sempre fui um defensor da Lei de Responsabilidade Fiscal, só vejo uma maneira: usar recursos nacionais, com recursos federais. Se não for assim, a escola Agostinho Brandão não será repetida no estado do Piauí inteiro”, disse. 
Alunos de Cocal. (Foto: Reprodução/Globo.com).

O senador falou que chegou a se emocionar ao ver o material exibido na noite do último domingo pelo Fantástico. “Tocou-me, profundamente, quando ouvi a professora dizer: ‘Todos os nossos alunos que disputaram uma vaga em uma universidade de qualidade passaram’. Todos”, frisou.

“Hoje, depois de assistir àquele programa que mostra como um município pode fazer uma escola de qualidade, eu estou com mais firmeza, ainda, na ideia de federalização, porque mostrou que é possível, mas não dá para fazer todas daquela qualidade. Duvido que Cocal dos Alves consiga fazer todas as escolas com aquela qualidade. Só com recursos e força do Governo Federal, só com a adoção das escolas pelo governo federal é que a gente vai poder fazer com que todas elas tenham a qualidade da Escola Augustinho Brandão”, pontuou.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FOLHAS AO VENTO E AS LIÇÕES DO PAI. O exemplo sempre será o melhor material didático de quem ensina

Paradigma é um dos termos menos usados e, na minha opinião, um dos mais importantes no processo educativo. De origem grega, o termo Paradigma é a junção de duas outras palavras. Para, que significa “Ao lado” e “Digma”, que quer dizer “Mostrar”. Logo, ser um Paradigma é ser um exemplo, um referencial, que não explique com palavras presentes mas com exemplos ausentes. Paradigmas são referências no processo educativo que devem mostrar ao lado de quem aprende que o exemplo está bem ali, ao lado, representado por quem ensina. Não discordo da idéia pedagógica de que o aluno é o centro do processo, mas por favor que não se tire os educadores de cena, pois sem Paradigmas não existe educação eficaz. Na condição de educador, sou desafiado por este termo- Paradigma- todos os dias, principalmente no seio familiar onde sou diuturnamente desafiado a viver o que ensino a fim de ter autoridade para ensinar o que vivo. 
O comportamento dos meus dois filhos, Lucas e Matheus, são grandes referenciais e sinalizações de como a educação por meio do exemplo e não de meras palavras, é eficaz. Numa certa manhã em que a minha família estava envolvida na costumeira tarefa caseira para pôr a casa em ordem, Rani, minha esposa, cuidava de uma parte, Lucas, meu primogênito, de outra e coube a mim e ao Matheus,meu filho caçula, a organização do quintal. Matheus estava contrariado com a tarefa que havia sido designada a ele, pois enquanto varria, seu trabalho era interrompido bruscamente pelo vento que espalhava todas as folhas já varridas. Irritado, esbravejou dizendo que sua tarefa seria impossível de ser concluída devido a força do vento, devido a força da circunstância. Percebi que quando ele mudava de um lugar para o outro, era preciso retornar de onde saiu para começar tudo outra vez. “Oh pai! ”_dizia ele_ “Vou parar”. ”Termine seu serviço”_ Dizia eu. E assim ficamos uma boa parte daquela manhã de ventos fortes. Como pai, jamais daria aos meus filhos metas que fossem inatingíveis ou desafios inconquistáveis. Sendo assim, cada desafio ou ordem que a eles dou, são exatamente do tamanho da capacidade deles. Então, em vez de insistir que me obedecesse, fiz com que Matheus parasse o que estava fazendo e olhasse para mim.  Comecei a mostrar a ele que sua tarefa era possível de ser executada se tão somente observasse o pai enquanto o ensinava. Mostrei a ele que as folhas ao vento não eram páreo para sua habilidade e competência. Ensinei que sua atitude dali em diante deveria ser de acordo com a visão dada pelo pai.  Ah! como aprendi, enquanto ensinava, naquela manhã de fortes ventos. Aprendi que ao invés de reclamar dos ventos que espalham meus propósitos, devo mudar o foco de minha visão. Aprendi, enquanto ensinava, que quando meu aluno diz: “Vou parar”, devo dizer à ele: ”Termine seu serviço, estou aqui com você”. Aprendi que todos os desafios da vida são do tamanho da nossa capacidade e que, enquanto fico reclamando dos ventos contrários, sou obrigado a voltar para fazer as mesmas coisas que já fiz. Assim sendo decidi que não serei paralisado pelo vento embora não possa detê-lo. Aprendi, como educador, que não posso deter os ventos que espalham as expectativas do meu aluno, mas posso ensiná-lo como manter limpo, o quintal de sua existência. Aprendi, enquanto educava meu filho, que fica mais fácil vencer a força dos ventos, quando não falo de longe o que deve ser feito, mas sim quando mostro ao lado como se faz. Quando sou Paradigma. Por isso reafirmo, ao término deste artigo que o exemplo sempre será o melhor material didático de quem ensina.

O que você acha?

Prof. Marcos Joaquim

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sonho Imaginário X Educação Imaginada


Resolvi criar esta expressão para explicar que não sonhei, mas gostaria de poder contar para alguém que tive o seguinte sonho: Sonhei que fui convidado para participar de uma grande conferência internacional de educação. Lá, assentados à mesa, figuras de renome do cenário educativo. Cada um deles expunha suas expectativas, sonhos, frustrações e resistente esperança.
Do canto de onde estava, boca aberta e olhos arregalados, assisti com espanto quando, nada mais nada menos do que Henri Vallon, erguer a mão pedindo a palavra. "Senhores, até quando minhas teorias serão apenas teorias e não serão consideradas como prática educativa no literal sentido da palavra?"  Vociferava o educador. " Quando será que as escolas deste tempo moderno considerarão o aluno no aspecto , não apenas cognitivo, mas também motor, afetivo e social, principalmente? "
De repente, com dedo em riste, Vigotsky esbraveja, para o meu espanto que não havia percebido sua chegado: "Isso só será possível , meu caro amigo Henri, quando me compreenderem e vivenciarem o fato de que é na interação que se aprende. Com essa política individualista de um capitalismo disfarçado, todo nosso projeto será apenas currículo vazio que ocupa a grade das instituições que gabam-se de terem formado muitos. Ou serão apenas muitos informados?"  Ironizava o educador, enquanto a platéia, inclusive eu, misturava aplausos com risadas.
Calmamente e de modo misteriosamente sério levantou-se um cidadão barbudo, olhar simples e simpático e que de todos eles foi o único que compreendi pois falava minha língua. Quando começou a falar logo o observei pois reconheci o sotaque inteligente, simples e profundo daquele homem que mais parecia um ribeirinho do norte do meu país do que um cientista da educação. Era Paulo Freire. Aplaudi de pé, sozinho pois não havia brasileiros naquela conferência. Fiquei triste pois até em sonho, eu me perguntava se não daria para ter um interesse maior pelo menos para ouvir quem sabe tudo e mais um pouco sobre educação? "Senhores e Senhoras", disse ele, " Acredito que todo esse descaso também está relacionado ao que disse há algum tempo atrás. Disse que sem discência não existe docência, isto é, sem aluno não há professor. Enquanto não entendermos e atentarmos para o que disse George Bernad Shaw, que a escola é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele. Se isso for só uma frase nada mudará, pois este amanhã em forma de gente, nossos alunos, estão cheios de habilidades e competências prontas a serem liberadas por aqueles que os educa" .
" Inteligências Múltiplas, Inteligências Múltiplas", gritava insistentemente Howard Gardner. "Cada um deles com suas inteligências específicas sendo trabalhadas. Ah quem me dera". Olhando para Piaget que se recusou a falar e apenas meneava a cabeça com olhar de incredulidade. Incredulidade não nas expectativas de seu colega, mas sim neste sistema desinteressado em abrir espaços para que se  prepare, através da educação, cabeças pensantes e não meros clientes dela. 
Gardner então, foi bruscamente interrompido por David Ausubel que até então não havia se manifestado. Disse ele:" Há quanto tempo postulei a tese de que toda aprendizagem tem que ser significativa? Como, Gardner" _ Dizia o educador, olhando para o amigo que acabara de falar_ "por em prática sua teoria das Inteligências múltiplas sem observar que ela só será real quando a minha for considerada? Com todo respeito, é lógico meu caro amigo."
Levanta-se então o presidente da mesa, aquele que representa a política da educação com todas as resoluções baseadas nos relatos dos conferencistas. Disse ele: "Venho, em nome da política educação dizer que fica resolvido o seguinte:"
Ops! Acordei. Não consegui ouvir o que disse o político. Por favor me desculpe por não contar o sonho todo. Mas quer saber minha opinião? Acho que não perdi muita coisa do resto daquela reunião. O que você acha? Na verdade, bom é saber que os sonhos daqueles conferencistas ainda estão vivos na cabeça de quem ainda leva educação à sério.
Prof. Marcos Joaquim

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Educando com Cordas



Creio que se Deus desse ao homem o direito de ter apenas uma coisa na vida, e com ela tivesse que construir sua própria história e definir seu destino, essa coisa, creio, seria a Corda. Cordas são objetos que nos acompanham em toda trajetória. Desde criança elas estão presentes em nosso cotidiano. Com elas brincamos de pular, com elas nos exercitamos, com elas nos balançamos em árvores e tudo mais que a criatividade infantil possa imaginar. Todavia, ao crescermos elas não nos deixam, embora não as vejamos. Elas estão presentes salvando vidas ou matando; puxando para cima, as vezes para baixo. Cordas são usadas para salvar ou para enforcar, para bater ou para brincar. Pendure uma corda na árvore e ela lhe dará uma forca. Pendure outra na mesma árvore e ela lhe dará um agradável balanço. Dê um nó na ponta de uma corda e ela lhe dará um instrumento de salvação a fim de que não escorregue para o abismo, aquele que a segura. Dê esta mesma corda com nó na ponta a uma outra pessoa e ela poderá fazer disso, um instrumento de tortura.
Nossas cordas são representadas por nossas Atitudes,nossas Decisões, nosso Tempo e nossas Oportunidades.Nossas Atitudes representam nossas Cordas quando o resultado delas mata ou promove vida. Alegrou ou promoveu tortura em alguém, quem sabe em nós mesmos.
Nossas Decisões representam nossas Cordas quando elas nos levam para cima e conosco, muitos dos que vivem na jurisdição da nossa existência. Ou então, nos puxam para baixo fazendo com que a reboque, muitos como nossas famílias e amigos, caiam no mesmo abismo em que nos encontramos.
 Nosso Tempo representa nossas Cordas quando o usamos como instrumento para escalar os montes íngremes da vida e superar os desafios e obstáculos que tentam impedir a construção do nosso futuro. Ou então quando o deixamos passar e permanecemos amarrados no presente, como resultado de um aprisionamento do passado.
Nossas Oportunidades representam nossas Cordas quando as usamos como instrumento de conexão e não como cabo de guerra.Ou então quando não damos o nó certo e firme a fim de não deixarmos escapar aquilo que poderá nunca mais voltar.
Como você está usando a sua Corda? O que poderíamos dizer hoje acerca da nossa Corda? Talvez pudéssemos dizer que estamos com ela no pescoço devido a uma situação que não conseguimos resolver. Talvez disséssemos que estamos na Corda bamba devido a uma instabilidade onde temos que tomar uma decisão. Em fim, cada um têm a corda que resolveu usar.
Como educadores, também temos nossas Cordas. Se soubermos usá-las puxaremos muitos dos que educamos para cima. Caso contrário, poderemos amarrá-los na mesmice. Educar é saber usar a Corda, é ser mestre em dar nó para salvar, em fazer balanço que alegra em vez de forca que asfixia a expectativa de quem precisa aprender.
Educar é saber puxar a corda no tempo certo e não permitir que nossos alunos andem sobre elas em seus desequilíbrios existenciais. Sem saberem se pulam para a esquerda ou para a direita, quando deveriam ir para frente.
Educar é saber desatar os nós dos que aprendem liberando-os para um futuro promissor.
Educar é validar a etimologia desta palavra, isto é, Educere, Conduzir para fora.
Então educadores, “Educerem”, puxemos para fora nossos estudantes desenvolvendo neles suas próprias habilidades e competências para que usem suas próprias Cordas.
A Corda está em nossas mãos.
Professor Marcos Joaquim