terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

FOLHAS AO VENTO E AS LIÇÕES DO PAI. O exemplo sempre será o melhor material didático de quem ensina

Paradigma é um dos termos menos usados e, na minha opinião, um dos mais importantes no processo educativo. De origem grega, o termo Paradigma é a junção de duas outras palavras. Para, que significa “Ao lado” e “Digma”, que quer dizer “Mostrar”. Logo, ser um Paradigma é ser um exemplo, um referencial, que não explique com palavras presentes mas com exemplos ausentes. Paradigmas são referências no processo educativo que devem mostrar ao lado de quem aprende que o exemplo está bem ali, ao lado, representado por quem ensina. Não discordo da idéia pedagógica de que o aluno é o centro do processo, mas por favor que não se tire os educadores de cena, pois sem Paradigmas não existe educação eficaz. Na condição de educador, sou desafiado por este termo- Paradigma- todos os dias, principalmente no seio familiar onde sou diuturnamente desafiado a viver o que ensino a fim de ter autoridade para ensinar o que vivo. 
O comportamento dos meus dois filhos, Lucas e Matheus, são grandes referenciais e sinalizações de como a educação por meio do exemplo e não de meras palavras, é eficaz. Numa certa manhã em que a minha família estava envolvida na costumeira tarefa caseira para pôr a casa em ordem, Rani, minha esposa, cuidava de uma parte, Lucas, meu primogênito, de outra e coube a mim e ao Matheus,meu filho caçula, a organização do quintal. Matheus estava contrariado com a tarefa que havia sido designada a ele, pois enquanto varria, seu trabalho era interrompido bruscamente pelo vento que espalhava todas as folhas já varridas. Irritado, esbravejou dizendo que sua tarefa seria impossível de ser concluída devido a força do vento, devido a força da circunstância. Percebi que quando ele mudava de um lugar para o outro, era preciso retornar de onde saiu para começar tudo outra vez. “Oh pai! ”_dizia ele_ “Vou parar”. ”Termine seu serviço”_ Dizia eu. E assim ficamos uma boa parte daquela manhã de ventos fortes. Como pai, jamais daria aos meus filhos metas que fossem inatingíveis ou desafios inconquistáveis. Sendo assim, cada desafio ou ordem que a eles dou, são exatamente do tamanho da capacidade deles. Então, em vez de insistir que me obedecesse, fiz com que Matheus parasse o que estava fazendo e olhasse para mim.  Comecei a mostrar a ele que sua tarefa era possível de ser executada se tão somente observasse o pai enquanto o ensinava. Mostrei a ele que as folhas ao vento não eram páreo para sua habilidade e competência. Ensinei que sua atitude dali em diante deveria ser de acordo com a visão dada pelo pai.  Ah! como aprendi, enquanto ensinava, naquela manhã de fortes ventos. Aprendi que ao invés de reclamar dos ventos que espalham meus propósitos, devo mudar o foco de minha visão. Aprendi, enquanto ensinava, que quando meu aluno diz: “Vou parar”, devo dizer à ele: ”Termine seu serviço, estou aqui com você”. Aprendi que todos os desafios da vida são do tamanho da nossa capacidade e que, enquanto fico reclamando dos ventos contrários, sou obrigado a voltar para fazer as mesmas coisas que já fiz. Assim sendo decidi que não serei paralisado pelo vento embora não possa detê-lo. Aprendi, como educador, que não posso deter os ventos que espalham as expectativas do meu aluno, mas posso ensiná-lo como manter limpo, o quintal de sua existência. Aprendi, enquanto educava meu filho, que fica mais fácil vencer a força dos ventos, quando não falo de longe o que deve ser feito, mas sim quando mostro ao lado como se faz. Quando sou Paradigma. Por isso reafirmo, ao término deste artigo que o exemplo sempre será o melhor material didático de quem ensina.

O que você acha?

Prof. Marcos Joaquim

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sonho Imaginário X Educação Imaginada


Resolvi criar esta expressão para explicar que não sonhei, mas gostaria de poder contar para alguém que tive o seguinte sonho: Sonhei que fui convidado para participar de uma grande conferência internacional de educação. Lá, assentados à mesa, figuras de renome do cenário educativo. Cada um deles expunha suas expectativas, sonhos, frustrações e resistente esperança.
Do canto de onde estava, boca aberta e olhos arregalados, assisti com espanto quando, nada mais nada menos do que Henri Vallon, erguer a mão pedindo a palavra. "Senhores, até quando minhas teorias serão apenas teorias e não serão consideradas como prática educativa no literal sentido da palavra?"  Vociferava o educador. " Quando será que as escolas deste tempo moderno considerarão o aluno no aspecto , não apenas cognitivo, mas também motor, afetivo e social, principalmente? "
De repente, com dedo em riste, Vigotsky esbraveja, para o meu espanto que não havia percebido sua chegado: "Isso só será possível , meu caro amigo Henri, quando me compreenderem e vivenciarem o fato de que é na interação que se aprende. Com essa política individualista de um capitalismo disfarçado, todo nosso projeto será apenas currículo vazio que ocupa a grade das instituições que gabam-se de terem formado muitos. Ou serão apenas muitos informados?"  Ironizava o educador, enquanto a platéia, inclusive eu, misturava aplausos com risadas.
Calmamente e de modo misteriosamente sério levantou-se um cidadão barbudo, olhar simples e simpático e que de todos eles foi o único que compreendi pois falava minha língua. Quando começou a falar logo o observei pois reconheci o sotaque inteligente, simples e profundo daquele homem que mais parecia um ribeirinho do norte do meu país do que um cientista da educação. Era Paulo Freire. Aplaudi de pé, sozinho pois não havia brasileiros naquela conferência. Fiquei triste pois até em sonho, eu me perguntava se não daria para ter um interesse maior pelo menos para ouvir quem sabe tudo e mais um pouco sobre educação? "Senhores e Senhoras", disse ele, " Acredito que todo esse descaso também está relacionado ao que disse há algum tempo atrás. Disse que sem discência não existe docência, isto é, sem aluno não há professor. Enquanto não entendermos e atentarmos para o que disse George Bernad Shaw, que a escola é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele. Se isso for só uma frase nada mudará, pois este amanhã em forma de gente, nossos alunos, estão cheios de habilidades e competências prontas a serem liberadas por aqueles que os educa" .
" Inteligências Múltiplas, Inteligências Múltiplas", gritava insistentemente Howard Gardner. "Cada um deles com suas inteligências específicas sendo trabalhadas. Ah quem me dera". Olhando para Piaget que se recusou a falar e apenas meneava a cabeça com olhar de incredulidade. Incredulidade não nas expectativas de seu colega, mas sim neste sistema desinteressado em abrir espaços para que se  prepare, através da educação, cabeças pensantes e não meros clientes dela. 
Gardner então, foi bruscamente interrompido por David Ausubel que até então não havia se manifestado. Disse ele:" Há quanto tempo postulei a tese de que toda aprendizagem tem que ser significativa? Como, Gardner" _ Dizia o educador, olhando para o amigo que acabara de falar_ "por em prática sua teoria das Inteligências múltiplas sem observar que ela só será real quando a minha for considerada? Com todo respeito, é lógico meu caro amigo."
Levanta-se então o presidente da mesa, aquele que representa a política da educação com todas as resoluções baseadas nos relatos dos conferencistas. Disse ele: "Venho, em nome da política educação dizer que fica resolvido o seguinte:"
Ops! Acordei. Não consegui ouvir o que disse o político. Por favor me desculpe por não contar o sonho todo. Mas quer saber minha opinião? Acho que não perdi muita coisa do resto daquela reunião. O que você acha? Na verdade, bom é saber que os sonhos daqueles conferencistas ainda estão vivos na cabeça de quem ainda leva educação à sério.
Prof. Marcos Joaquim

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Educando com Cordas



Creio que se Deus desse ao homem o direito de ter apenas uma coisa na vida, e com ela tivesse que construir sua própria história e definir seu destino, essa coisa, creio, seria a Corda. Cordas são objetos que nos acompanham em toda trajetória. Desde criança elas estão presentes em nosso cotidiano. Com elas brincamos de pular, com elas nos exercitamos, com elas nos balançamos em árvores e tudo mais que a criatividade infantil possa imaginar. Todavia, ao crescermos elas não nos deixam, embora não as vejamos. Elas estão presentes salvando vidas ou matando; puxando para cima, as vezes para baixo. Cordas são usadas para salvar ou para enforcar, para bater ou para brincar. Pendure uma corda na árvore e ela lhe dará uma forca. Pendure outra na mesma árvore e ela lhe dará um agradável balanço. Dê um nó na ponta de uma corda e ela lhe dará um instrumento de salvação a fim de que não escorregue para o abismo, aquele que a segura. Dê esta mesma corda com nó na ponta a uma outra pessoa e ela poderá fazer disso, um instrumento de tortura.
Nossas cordas são representadas por nossas Atitudes,nossas Decisões, nosso Tempo e nossas Oportunidades.Nossas Atitudes representam nossas Cordas quando o resultado delas mata ou promove vida. Alegrou ou promoveu tortura em alguém, quem sabe em nós mesmos.
Nossas Decisões representam nossas Cordas quando elas nos levam para cima e conosco, muitos dos que vivem na jurisdição da nossa existência. Ou então, nos puxam para baixo fazendo com que a reboque, muitos como nossas famílias e amigos, caiam no mesmo abismo em que nos encontramos.
 Nosso Tempo representa nossas Cordas quando o usamos como instrumento para escalar os montes íngremes da vida e superar os desafios e obstáculos que tentam impedir a construção do nosso futuro. Ou então quando o deixamos passar e permanecemos amarrados no presente, como resultado de um aprisionamento do passado.
Nossas Oportunidades representam nossas Cordas quando as usamos como instrumento de conexão e não como cabo de guerra.Ou então quando não damos o nó certo e firme a fim de não deixarmos escapar aquilo que poderá nunca mais voltar.
Como você está usando a sua Corda? O que poderíamos dizer hoje acerca da nossa Corda? Talvez pudéssemos dizer que estamos com ela no pescoço devido a uma situação que não conseguimos resolver. Talvez disséssemos que estamos na Corda bamba devido a uma instabilidade onde temos que tomar uma decisão. Em fim, cada um têm a corda que resolveu usar.
Como educadores, também temos nossas Cordas. Se soubermos usá-las puxaremos muitos dos que educamos para cima. Caso contrário, poderemos amarrá-los na mesmice. Educar é saber usar a Corda, é ser mestre em dar nó para salvar, em fazer balanço que alegra em vez de forca que asfixia a expectativa de quem precisa aprender.
Educar é saber puxar a corda no tempo certo e não permitir que nossos alunos andem sobre elas em seus desequilíbrios existenciais. Sem saberem se pulam para a esquerda ou para a direita, quando deveriam ir para frente.
Educar é saber desatar os nós dos que aprendem liberando-os para um futuro promissor.
Educar é validar a etimologia desta palavra, isto é, Educere, Conduzir para fora.
Então educadores, “Educerem”, puxemos para fora nossos estudantes desenvolvendo neles suas próprias habilidades e competências para que usem suas próprias Cordas.
A Corda está em nossas mãos.
Professor Marcos Joaquim

terça-feira, 27 de agosto de 2013

O ÊXITO DO ENSINO É A APRENDIZAGEM. A PROVA DA APRENDIZAGEM ESTÁ NA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO


O PREGADOR E A LIXEIRA

Numa bela manhã ensolarada, decidi fazer um concerto na lixeira que fica bem em frente ao portão da minha casa. Munido de martelo e pregos em minha pequena caixa de ferramentas, comecei o trabalho. Quando comecei a pregar, percebi que tinha comigo três classes de pregos. A primeira classe sucumbia diante das minhas marteladas e fixavam-se firmemente na madeira. A segunda, quando o martelo batia em sua cabeça resvalava e como se estivesse
furiosa, rodopiava e caía longe do lugar onde eu estava trabalhando. Já a terceira classe entortava-se diante das marteladas e diferentemente da segunda,  permanecia no local de
trabalho, porém de modo torto. 
Enquanto fazia meu trabalho comparei aqueles pregos com a vida de muitos estudantes que diante do que lhes é ensinado, fixam-se no propósito de aprender  e permanecem aprofundados no aprendizado. Outros, como a segunda classe, vão embora porque sua mentalidade não amadureceu a ponto de entenderem que todo propósito precisa ser maior que a força de qualquer circunstância.

Se eu pudesse falar com aqueles pregos, diria a eles que cada martelada era uma circunstância difícil, mas que o concerto da lata de lixo era um propósito a ser atingido.

Talvez a terceira classe seja a pior. São aqueles que estão dentro mas estão tortos. Diante de cada ensino não se firmam mas entortam. Necessitam aprender que estar num ambiente de aprendizagem é importante, porém como estamos é mais importante ainda.
Percebi com esse fato que não poderia contar com alguns daqueles pregos para o término do meu trabalho e que se dependesse deles teria que pôr o lixo no chão ao invés da lixeira. Percebi também que embora estes pregos representem aqueles a quem ensino, minha falta de habilidade na “pregação” fez com muitos deles ou se entortassem ou resvalassem para longe. Nisso então somos todos, docentes e discentes, chamados a uma reflexão nesta postagem. Se você é aluno, pense nas seguintes coisas : Não pule para longe diante das "marteladas", diante do ensino. Não fique torto no lugar. No que você está se tornando é mais importante do que aquilo que você está aprendendo. Interprete cada aula como uma fixação de valores e princípios e não meramente como transmissão de conhecimentos. Coopere para que o lixo da corrupção, da violência , do desleixo, da imoralidade, vá para o lugar certo e não se espalhe pelas ruas da nossa sociedade.

Todavia, se você é um professor, como eu, prestemos mais a atenção no modelo do nosso trabalho, de nossas “marteladas”. Elas podem cumprir um bom propósito fixando pessoas certas nos lugares certos ou podem entortá-las neste mesmo lugar. Podem aproximá-las, como podem jogá-las para longe. Muito dependerá de nossas competências e habilidades e não apenas da disposição dos nossos...”pregos”.
O que você acha?


Prof. Marcos Joaquim